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Pesquisa do IBGE aponta redução da ocupação maranhense, com aumento contracíclico do emprego público
*Artigo publicado originalmente no Jornal O Imparcial, na edição do dia 18 de Novembro.

Os dados da PNADc para o Maranhão relativos ao 3º trimestre de 2018 mostram que a taxa de desocupação recuou de 14,6% para 13,8% da população ocupada, entre os 3os trimestres de 2017 e 2018. Na Região Nordeste, a taxa de desocupação caiu de 15,9% para 14,4%, enquanto que no nível agregado nacional, o indicador recuou de 13,1% para 11,9%, colocando o Estado do Maranhão com a sétima maior taxa de desocupação do país.

De acordo com o estudo do IBGE, o Estado do Maranhão registrou queda de 4,7% no número de ocupados no segundo trimestre de 2018, uma diminuição de 111 mil ocupados, em um contingente total de ocupados, que variou de 2,37 milhões, para 2,26 milhões de pessoas. Com esta redução dos ocupados, o contingente dos chamados desalentados no Maranhão (desemprego oculto por desalento), passou de 401 mil para 523 mil pessoas, um contingente somente superado pelo Estado da Bahia, no Nordeste, que registrou 794 mil pessoas na condição desalento, de acordo com a pesquisa do IBGE.

Dentre o fechamento de ocupações no último ano, 66 mil foram registradas somente no segmento da Agropecuária (-14,8% do contingente existente um ano atrás), em atividades majoritariamente da agricultura familiar. No setor urbano destacaram-se, entre os subsetores, 28 mil ocupados a menos no Comércio e Reparação de Veículos (-5,2%), assim como a queda de 20 mil ocupados na Construção Civil (-9,5%)

Considerando a abertura por condição de ocupação e categorias de emprego, verifica-se que o Maranhão apresenta uma diminuição acentuada nas pessoas Por Conta Própria (-56 mil), assim como daqueles ocupados no Trabalho Familiar Auxiliar Sem Remuneração (-31 mil), sendo que a ampla maioria dessas no setor agropecuário (agricultura familiar tradicional). A forte redução nestes dois segmentos ocupacionais, que acontece em todo o Nordeste, somada à preocupação com a possível aproximação de nova seca semelhante à de 2013/14, levou o governador Flávio Dino a solicitar estudos para o desenho de políticas e programas que tenham impacto na geração de emprego no setor rural, a exemplo de obras de retenção hídrica e de prevenção contra secas.

O subsetor da construção civil continua sendo fortemente impactado pela recessão de crédito imobiliário. cujas concessões, através do Sistema Financeiro da Habitação, atingiram R$ 1,1 bilhão em 2014 e recuaram para pouco R$ 288 milhões no período de janeiro a setembro de 2018.

O único setor a apresentar ampliação das ocupações no último ano foi o de Serviços, que abril 27 mil vagas no período, sendo que a liderança, com 12 mil contratações, coube ao grupamento de atividades de Informação, Comunicação, Atividades Financeiras, Imobiliárias E Administrativas, enquanto que os Serviços de Transportes e Comunicação foram responsável por 9 mil contratações. Coube à Administração Pública Estadual, a geração de 5 mil novas ocupações (formais) no período, evidenciando o importante papel contracíclico que o Governo do Estado vem exercendo na difícil conjuntura atual.

Em relação aos rendimentos reais da população ocupada, no Maranhão o indicador apresentou aumento de 0,8% na comparação interanual. Por outro lado, a massa de rendimentos reais da população ocupada maranhense apresentou variação negativa de 2,7 % na comparação com mesmo período de 2017. Tal comportamento deve-se a retração no contingente de pessoas ocupadas, evidenciando a necessidade, no plano nacional, priorizar políticas e programas que tenham impacto na geração de empregos, renda, tributação e ampliação da oferta de infraestrutura, com especial ênfase na castigada Região Nordeste.

Artigo do Prof. Dr. Felipe de Holanda